Cinebiografia “Michael” (estreia em abril de 2026) impulsionou clássicos ao topo das paradas globais; “Billie Jean” é a 2ª música mais reproduzida do mundo; cantor também emplaca quatro faixas no Top 20 global.
Quase 17 anos após sua morte (25 de junho de 2009), Michael Jackson provou que o título de Rei do Pop permanece condizente também na era digital. Em um feito impressionante, o cantor se tornou o artista mais ouvido do Spotify – o topo do ranking da maior plataforma de streaming de música foi alcançado postumamente no último domingo (10 de maio de 2026).
O domínio de Michael Jackson nas paradas não se limita ao topo da lista de artistas. Ele conseguiu emplacar quatro músicas no Top 20 global da plataforma. O grande destaque individual fica por conta do clássico “Billie Jean”, que se posicionou como a segunda faixa mais reproduzida em todo o mundo na atualidade (atrás apenas de “Dracula”, de Jennie e Tame Impala).
No cenário brasileiro, o impacto do catálogo de Michael também se fez notar, embora de forma mais tímida: o Rei do Pop alcançou a 23ª posição na lista dos artistas mais ouvidos no Brasil, figurando logo atrás do cantor de piseiro João Gomes.
O fenômeno que catapultou os números de Michael Jackson no streaming tem uma explicação: o recente lançamento de “Michael”, cinebiografia do músico que chegou aos cinemas em abril de 2026. O longa narra a trajetória do cantor desde a infância até o auge de sua carreira (por volta de 1988), destacando a criação de álbuns icônicos como Off the Wall (1979), Thriller (1982) e Bad (1987). Impulsionadas pelo hype, faixas como “Beat It”, “Don’t Stop ‘Til You Get Enough” e “Human Nature” foram as que mais ganharam reproduções ao longo do último mês.
APROFUNDAMENTO – O FENÔMENO PÓSTUMO NO STREAMING E O LEGADO DE MICHAEL JACKSON
Por que Michael Jackson nunca ficou “antigo”
Michael Jackson morreu em 2009, quando o streaming ainda engatinhava (o Spotify foi lançado na Europa em 2008 e nos EUA em 2011). Mesmo assim, seu catálogo sempre se manteve entre os mais ouvidos. A diferença agora é que a cinebiografia serviu como uma “campanha de marketing” involuntária: o filme está em cartaz em todo o mundo, os trailers viralizaram, e a curiosidade do público (especialmente da Geração Z, que não viveu o auge do cantor) fez com que milhões de pessoas buscassem suas músicas. O resultado é um feito raro: um artista morto há quase duas décadas superar nomes como Taylor Swift, Bad Bunny e The Weeknd no ranking diário.
O impacto da cinebiografia “Michael” (2026)
O filme, dirigido por Antoine Fuqua e estrelado pelo sobrinho Jaafar Jackson, estreou em 23 de abril de 2026 (no Brasil). Em menos de um mês, arrecadou mais de US$ 500 milhões mundialmente. A trilha sonora do filme não é nova, mas a exposição das músicas em cenas dramáticas (o show do Motown 25, a gravação de “Billie Jean”, a turnê Bad) fez com que o público saísse do cinema com vontade de ouvir os sucessos. Muitos espectadores relataram ter “redescoberto” faixas como “Human Nature” (que entrou no Top 20 global pela primeira vez).
Comparação com outros fenômenos póstumos
Outros artistas falecidos tiveram picos póstumos: Queen (com o filme Bohemian Rhapsody, 2018) e Elvis Presley (com o filme Elvis, 2022). No entanto, nenhum deles chegou a alcançar o 1º lugar no ranking de artistas do Spotify. Michael Jackson superou até mesmo os recordes de streaming de Juice WRLD (morto em 2019, mas com música inédita lançada postumamente). O feito é ainda mais impressionante porque Jackson não tem músicas novas – é puro catálogo.
A importância do mercado brasileiro
O Brasil é o segundo maior mercado do Spotify no mundo (atrás apenas dos EUA). Michael Jackson estar em 23º lugar no país, atrás de João Gomes, mostra que o funk e o piseiro dominam o gosto nacional, mas ainda assim o Rei do Pop mantém relevância. As cidades onde o filme fez mais sucesso (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte) tiveram picos maiores de streams de Jackson do que a média nacional. A tendência é que, conforme o filme continue em cartaz (até junho, possivelmente), os números brasileiros subam ainda mais.
O que esperar dos próximos meses
Com o sucesso do filme, a gravadora Sony Music já anunciou uma edição de luxo de Thriller 40 (comemorando 44 anos, não 40), com faixas inéditas e demos. Também será lançado um álbum ao vivo remasterizado da Bad World Tour (1987-1989). A Netflix e a Amazon brigam pelos direitos de streaming do filme (que deve sair dos cinemas em junho). Independentemente disso, o legado de Michael Jackson está mais vivo do que nunca – prova de que a música de qualidade é atemporal.
Fonte: Rolling Stone Brasil (Guilherme Gonçalves) – 13 de maio de 2026